De musa de poema a protagonistas reais: conheça mulheres que marcam os 97 anos de Marília

  • 04/04/2026
(Foto: Reprodução)
Marília completa 97 anos neste sábado Prefeitura de Marília/ Divulgação Uma história de amor deu origem ao nome da cidade de Marília (SP), que completa 97 anos neste sábado (4). Quem nunca ouviu falar do famoso poema “Marília de Dirceu”? A obra, escrita pelo poeta Tomás Antônio Gonzaga, foi lida por Bento de Abreu Sampaio Vidal, fundador da cidade, em uma de suas viagens à Europa. (Veja mais sobre o poema no vídeo abaixo). 'Marília de Dirceu' é considerado a lírica amorosa mais popular da literatura portuguesa Admirado pelos poemas dedicados à mulher chamada Marília, Bento decidiu, em 4 de abril de 1929, nomear o município recém-emancipado com o nome da musa inspiradora do poema. 📲 Participe do canal do g1 Bauru e Marília no WhatsApp Entretanto, Marília não é só conhecida por ser a terra de Dirceu, mas por tantas outras características. Logo na entrada da cidade, um pequeno dinossauro chama a atenção de quem chega ao município. O que parece apenas um detalhe curioso revela, na verdade, uma identidade construída há décadas: desde os anos 1990, o município é conhecido como a terra da paleontologia. LEIA TAMBÉM MARÍLIA: Veja 10 curiosidades da segunda maior cidade do centro-oeste paulista COMPETIÇÃO INUSITADA: Competidor vence batalha de cachorro-quente após comer 8 lanches em 5 minutos em Marília PRATO TÍPICO: Pastel de ovo é reconhecido como patrimônio cultural de Marília Além dos dinossauros, Marília também é apelidada de "capital do alimento" por possuir mais de 1.100 empresas do setor alimentício, que representam 73% da movimentação industrial da cidade e geram mais de 9.700 empregos. A cidade também está inserida no Guinness Book – o Livro dos Recordes. O feito foi conquistado em 1992 por Encarnação Olivas e Garcia Pacheco, a Vó Nena, que, aos 81 anos, se tornou a pessoa mais velha a saltar de paraquedas no mundo. Hoje, 97 anos depois de sua emancipação, a cidade ainda é composta por várias outras histórias de mulheres corajosas que, em diversas funções, seja na indústria, educação, saúde ou no transporte, colaboram para que a engrenagem da segunda maior cidade do centro-oeste paulista continue, dia após dia, a funcionar. ‘Ajudo a cidade a se mover’ Jaqueline é motorista de ônibus em Marília, cidade que completa 97 anos neste sábado Arquivo pessoal Seja para ir ao trabalho em uma segunda-feira de manhã ou na volta de um passeio no Bosque Municipal no fim de um domingo, alguns marilienses podem ter cruzado o olhar com o de Jaqueline de Barros Tavares, motorista do transporte público de Marília. Com 36 anos, ela é uma das onze mulheres que conduzem ônibus nas duas empresas que operam na cidade e que transportam, diariamente, milhares de passageiros dos bairros até o terminal urbano e vice-versa. Em uma profissão majoritariamente masculina, Jaqueline é a prova de que as mulheres fazem, hoje, Marília ser o que é: uma cidade em constante evolução, formada por gente que não tem medo do batente e que encontra nos desafios ainda mais força para seguir. “Sempre tive vontade de ser motorista de veículos de grande porte. Como não tinha experiência comprovada na função, foi difícil encontrar alguma empresa disposta a dar a primeira oportunidade. Depois de algumas tentativas, consegui essa oportunidade para realizar este sonho”, conta Jaqueline em entrevista ao g1. A rotina, segundo ela, é corrida, principalmente nos horários de pico, que acontecem no começo da manhã e no final da tarde, quando o fluxo de passageiros e o trânsito se intensificam; mas isso, para ela, é uma bênção. “Eu me sinto bem em saber que ajudo tanta gente todos os dias, levando para o trabalho, para casa. É uma responsabilidade grande, mas também muito gratificante”, disse. Mas nem tudo foi sempre fácil. Assim como Marília também passou por grandes desafios para se tornar a cidade conhecida como a terra do alimento, Jaqueline também enfrentou diversas dificuldades para chegar até aqui. E até o fato de ser mulher foi uma delas. “Já passei por situações de preconceito por ser mulher, mas nunca deixei isso me parar. Pelo contrário, só me fez querer mostrar que a gente dá conta. E o melhor é ouvir elogios de pessoas que, ao me verem dirigindo, não imaginavam que eu pudesse fazer isso de forma tão natural e segura”. Ter permanecido, mesmo com tantos fatores contrários, é motivo de orgulho para a motorista. “Sinto que faço parte do dia a dia de cada passageiro. Cada dia é diferente, cada volta é diferente, mas a maioria dos passageiros é a mesma. Acabamos, querendo ou não, nos acostumando com cada um, uns com mais intensidade, outros com menos, mas sempre com respeito e responsabilidade”, disse. Muito mais que levar pessoas para os seus destinos, para Jaqueline, ser motorista é uma vocação, uma ação essencial para a rotina dos marilienses. “Ajudo a cidade a se mover. Não é só dirigir um ônibus é fazer parte do ritmo da cidade. Cada pessoa que entra ali carrega um destino, uma história, um momento importante, e eu estou ali, ajudando tudo isso a acontecer”, disse. Pertencimento, afeto e propósito Nos horários de pico, os ônibus são intensamente utilizados por estudantes que passam pelo terminal a caminho do Campus Universitário, que abriga hoje as três principais faculdades da cidade. Marília é um importante polo de educação. Uma das principais universidades particulares do município, que já atua na região há 70 anos, é coordenada também por uma mulher: Fernanda Mesquita, pró-reitora de graduação. Fernanda Mesquita é pró-reitora de graduação de uma universidade particular de Marília Arquivo pessoal “Temos, atualmente, alunos matriculados vindos de todos os estados do país e, ao longo dessas décadas, a Universidade não apenas formou profissionais como ajudou a construir histórias de vida. Histórias de pessoas que passaram por aqui, tiveram acesso à educação e, a partir disso, transformaram suas próprias realidades e impactaram o mundo ao seu redor”, afirma. Além de ser pró-reitora de graduação, Fernanda é mariliense. Nasceu, cresceu e construiu a família em Marília. “A cidade de Marília é, antes de tudo, a minha raiz. É a cidade onde eu nasci, cresci, construí minha família e escolhi permanecer. No campo pessoal, ela representa pertencimento, afeto e propósito. Aqui estão as minhas memórias, tudo que me move diariamente e o meu projeto de futuro”, disse. Ela também viu passar diante de seus olhos a evolução da cidade e da educação. Além disso, vê diariamente mulheres ocupando espaços de liderança. “Ver mais mulheres em posições de liderança em Marília mostra que estamos avançando, ainda que com desafios. É uma mudança cultural. Cada mulher que ocupa um espaço de decisão abre caminho para outras”, afirmou. E a educação é uma importante ferramenta para que as mulheres, cada vez mais, se sintam pertencentes e prontas para assumir papéis de destaque. “A educação é, talvez, o principal instrumento de transformação. Ela amplia horizontes, promove autonomia e dá voz. Para as mulheres, isso significa independência, protagonismo e capacidade de ocupar espaços de decisão.” Fernanda trabalha com educação e, nas salas de aula, vê algo que também já podemos observar nas ruas da cidade: mulheres que fazem a cidade ser o que é. Para as meninas, que ainda estão se formando mulheres, ela deixa um conselho: “Acreditem em vocês. Invistam na sua formação, sejam curiosas, persistentes, não tenham medo de ocupar espaços e nunca parem de sonhar. O caminho nem sempre será fácil, mas ele é possível. E cada passo de vocês também abre caminho para outras”. Escuta, acolhimento e empatia Márcia tem papel importante na saúde pública de Marília Arquivo pessoal Os prontos atendimentos que estão localizados nas zonas Sul e Norte da cidade, e que atendem centenas de pessoas por dia, também são gerenciados por uma mulher: a enfermeira Márcia Mesquita de Serva Reis, superintendente do HBU e responsável pelas demandas das UPAs. “Minha rotina é bem intensa, gerencio pessoas e meu trabalho representa, para mim, um propósito de vida. Trabalhar na saúde não é só um trabalho; nós lidamos com aquilo que a pessoa tem de mais importante, que é a vida”, afirma. Segundo ela, 70% dos funcionários que compõem as unidades de atendimento são mulheres. “A Saúde é um ambiente que atrai mais mulheres. É um ambiente que exige escuta, acolhimento, empatia, coisas que a mulher consegue passar naturalmente. O grande desafio é que a mulher também é muito importante no centro da casa, então ela é mãe, esposa, ou seja, ela está sempre sendo demandada”, conta. “Nós lidamos com a dor, com a fragilidade das pessoas. Nesses 25 anos em que estou à frente desse gerenciamento, eu só posso dizer que somos muito gratos por estarmos em Marília. Queremos continuar crescendo e inovando com a cidade”, completa. ‘Marília é onde quero estar’ E se Marília se destaca em tantas áreas, não dá para se esquecer da que a deixou conhecida como a capital do alimento. A cidade abriga hoje mais de mil empresas do setor alimentício. Larissa Voleck Lopes é coordenadora de qualidade de uma multinacional de bebidas não alcoólicas que tem uma planta na cidade. “Eu nasci em Rancharia, só que Marília sempre foi a minha referência em relação ao tamanho, uma cidade maior com mais oportunidades. Muito pequena fui para Tupã, mas no decorrer da vida fui morar no Paraná, depois voltei para o interior. Passei por Quatá, Lençóis Paulista e voltei para Marília”, destaca Larissa em entrevista ao g1. A fábrica conta com seis linhas de produção que produzem refrigerantes, chás e isotônicos. As bebidas produzidas na cidade abastecem todo o país e cada linha de produção gera 40 mil garrafas de refrigerantes por hora. Nascida em Rancharia, Larissa escolheu Marília como lar Arquivo pessoal Trabalhar na fábrica é motivo de orgulho para Larissa, e hoje ela está onde sempre quis. “Hoje, Marília é onde eu quero estar, é o que eu almejava para a minha vida pessoal e consegui também alcançar na carreira profissional. Meu companheiro estudou aqui, mora aqui e nós namoramos à distância um tempão. É aqui em Marília que eu quero estar: formando a minha família, próxima aos meus pais e muito feliz profissionalmente”, finalizou. Se um dia Marília nasceu inspirada por uma mulher, hoje são elas que, todos os dias, mantêm a cidade em movimento. Como diria o poeta Tomás: “Graças, Marília bela. Graças à minha estrela.” Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Bauru e Marília VÍDEOS: assista às reportagens da região

FONTE: https://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/noticia/2026/04/04/de-musa-de-poema-a-protagonistas-reais-conheca-mulheres-que-marcam-os-97-anos-de-marilia.ghtml


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